quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quando o silêncio é a única resposta

Recentemente vi o novo filme do Scorcese: Silêncio. O filme fala sobre um padre jesuíta que é enviado para o Japão, com o objetivo de espalhar a palavra de Deus por aqueles lados. A missão não corre bem e cá em Portugal (sim, o filme é baseado numa história de padres portugueses), surge a noticia de que o padre Ferreira renunciou à fé e agora vive no "bem bom" com mulher e filhos. Os seus alunos não acreditam nisso e dois oferecem-se para ir ver o que aconteceu. Mas não é do filme que eu quero falar. 
Se no filme vemos de forma dura como a fé, tantas vezes intermitente é posta à prova, na vida real as coisas não são diferentes. Quantas vezes pedimos por um sinal, uma resposta ou uma "amostra grátis" que nos indique o caminho certo a seguir mas nada acontece? Quantas vezes pedimos pela cura de quem amamos mas a doença só piora? Quantas vezes pedimos pelo prolongamento da vida de quem amamos (porque é cedo demais para partir) mas a única resposta é o silencio?
Se fizermos estas perguntas a alguém, a resposta será: "mas Deus não é o nosso criado para fazer o que pedimos". Certo. 
Vamos então imaginar este cenário:
Uma criança doente, cheia de febre, acorda a meio da noite e pede agua ao pai. Chama uma vez, duas, três e nada. O que fazer? Fica com sede ou levanta-se e vai buscar o copo com água mesmo sem poder? 
Claro que muitas pessoas pedem coisas desnecessárias como uma casa com piscina, um carro bom ou uma boa conta bancária mas aqui, enquanto vivemos, o mais importante é a saúde. Porque se tivermos saúde, podemos trabalhar, logo ganhamos dinheiro e compramos um carro e uma casa. 
Quando a única resposta que temos não é "sim" nem "não" e muito menos um "talvez", é um nada ensurdecedor, a fé se desvanece até deixar de existir.